A Câmara de Vereadores de Getúlio Vargas realizou, na noite de 30 de outubro, uma Sessão Solene em homenagem aos 60 anos de fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) do município, hoje Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sutraf). A cerimônia ocorreu no Plenário Eng. Firmino Girardello e contou com a presença dos vereadores, do Prefeito Pedro Paulo Prezzotto, da coordenadora do Sutraf, Silvane Valença, e de membros da comunidade.
A homenagem foi formalizada através do Decreto Legislativo nº 7/2025, de autoria da Mesa Diretora e aprovado por unanimidade pelos vereadores em 21 de agosto. A proposição teve origem no Requerimento nº 003/2025, apresentado pela Bancada do MDB em 26 de junho, reconhecendo a importância histórica da entidade na defesa dos direitos dos trabalhadores rurais e no desenvolvimento da agricultura familiar ao longo de seis décadas.
Durante a solenidade, a coordenadora do Sutraf em Getúlio Vargas, Silvane Valença, recebeu uma placa comemorativa em nome da entidade.
Manifestações destacam história e parcerias
Os vereadores utilizaram a tribuna para destacar a trajetória da entidade. Vilmar Antonio Soccol (União Brasil) parabenizou a bancada do MDB pela iniciativa e mencionou a coragem dos fundadores. "Nenhuma entidade se mantém se não houver homens e mulheres de coragem que assumam cargos importantes dessa liderança sindical", afirmou.
Suzi Teresinha dos Santos (PL) lembrou o sacrifício dos pioneiros para a aquisição da sede própria em 1968 e as conquistas práticas do sindicato. "Lembramos hoje os pioneiros que chegaram a empenhorar suas próprias terras para garantir a sede própria. Foi esta entidade que lutou pelo auxílio-doença, pelo salário-maternidade, pela aposentadoria das mulheres no campo e pela conquista de políticas vitais como o Pronaf".
Ademar José Rigon (PP) focou na relação de parceria entre o Sutraf e o poder público, citando exemplos de colaboração. "O Sutraf não é apenas um sindicato, é uma instituição parceira, sempre presente nas causas que envolvem o desenvolvimento rural. Um exemplo claro dessa parceria é a Feira do Produtor, construída em terreno cedido pelo Sutraf", recordou.
Representando a Bancada do MDB, proponente da homenagem, a vereadora Luana Lanfredi relembrou o início do movimento, em 1962, e o legado dos fundadores. "Em tempos muito mais difíceis que os de hoje, esses homens e mulheres tiveram muita coragem para acreditar e lutar por direitos que mudariam o destino das famílias. O sindicato teve, e continua tendo, um papel de enorme importância para toda classe produtora", declarou.
O Prefeito Pedro Paulo Prezzotto fez um resgate histórico, lembrando os primeiros anos da entidade e as dificuldades dos agricultores na época. "Esse local deveria estar lotado por aquilo que este sindicato fez pelos agricultores. [Eles] não tinham financiamento, não tinham nada e, naquela época, quando caíam no hospital, tinham que vender a vaquinha ou o pedaço de terra para pagar as contas", disse o prefeito, que também destacou o papel de lideranças históricas no fortalecimento do STR.
Representando os homenageados, a coordenadora Silvane Valença agradeceu à Câmara pela homenagem e falou sobre os desafios atuais. "Hoje, represento cada pessoa que, ao longo destas seis décadas, dedicou parte de sua história a esta instituição. Sabemos que muitos desafios ainda nos esperam, e talvez o maior deles seja preservar os direitos já conquistados, tantas vezes ameaçados. O sindicato é e será sempre uma ferramenta de luta em defesa do nosso agricultor", concluiu.
Seis Décadas de Luta e Conquistas
A trajetória do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Getúlio Vargas teve início formal em 1965, com a obtenção da Carta Sindical, após mobilizações regionais iniciadas em 1962. Liderada pelo primeiro presidente, Pedro Bernardon, a entidade adquiriu sua sede própria em 1968, um marco viabilizado por agricultores que empenhoraram as próprias terras.
As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pela expansão dos serviços, como assistência médica e odontológica, e por lutas nacionais pela Previdência Social. Este período foi crucial para o Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais, resultando em conquistas como a aposentadoria para as mulheres, o salário-maternidade e o auxílio-doença.
Em 1998, uma reestruturação deu origem ao Sutraf (Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar). Os anos 2000 trouxeram conquistas estruturantes para a agricultura familiar, como o PRONAF, a implantação da Cresol na microrregião, programas de habitação rural (PAA, PNAE), o Luz para Todos e a construção da Feira do Produtor. Hoje, a entidade segue prestando serviços essenciais (ITR, CCIR, CAF) e conta com mais de 600 associados em quatro sedes (Getúlio Vargas, Floriano Peixoto, Erebango e Estação).